
Estive por lá nos últimos 2 meses… e olha o que eu deixei de legado para o mundo das internets:
WeBabel – a internet em várias línguas
Os mortos mais bem sucedidos do mundo
Novo Orkut: o fim da ditadura do azul bebê (ou não)
A psicologia do pênalti perfeito
Distrito 9: Favela movie do outro mundo
Vídeo Games Live – a gente foi
Que tal construir um balão que tira suas próprias fotos do espaço por menos de 300 reais?

Vão aqui os links para umas entrevistinhas (já meio antigas) publicadas na revista CLAUDIA: a com Samir Mesquita (o moço aí ao lado, escritor de microcontos) foi publicada em fevereiro. A da Nina Pandolfo, grafiteira, é de dezembro de 2008. E a entrevista com a estilista Taís Remunhão saiu em janeiro de 2009.
A Super de maio tem que ler de barriga cheia. A foto da capa é um chocolate, me dá uma baita fome toda vez que eu vejo…
Aqui mais uma matéria minha dessa edição:
A decoreba já vai tarde: o vestibular pode acabar.
O vestibular tradicional está acabando. Mas isso é bom ou ruim?

Em 1911, boa memória era sinônimo de inteligência. Até dá para entender. Naquela época, quando o governo brasileiro tornou o vestibular obrigatório para universidades públicas e particulares, conhecimento era coisa para poucos. Ter um baú de informações na cabeça já permitia a qualquer um ser pelo menos um bom profissional. Então não era surpresa que os vestibulares se preocupassem em testar basicamente a capacidade de memorização.
Um século e muita decoreba depois ela continua sendo uma habilidade louvável, mas não é nem nunca foi a mais importante – só a mais fácil de testar numa prova. Coisas fundamentais, como o raciocínio e a criatividade, ainda são menos levadas em consideração do que deveriam na hora de selecionar quem entra na universidade. Não é de espantar, então, que muita gente deseje a morte dos testes tradicionais. E não é desculpa de estudante burro: o próprio Albert Einstein dizia que a obrigação de decorar fórmulas foi a maior, e mais inútil, tortura pela qual passou na vida. Por isso mesmo todo mundo interessado no assunto vibrou quando o Ministério da Educação anunciou uma nova versão do Exame Nacional do Ensino Médio para substituir e unificar as provas das universidades federais. A exemplo do Enem antigo, ela promete exigir muito mais análise e raciocínio lógico do que informação bruta a ser decorada. Está aí a solução para o tormento?
Vamos ver. O MEC admitiu que inspirou-se no americano SAT (sigla em inglês para Teste de Medição Escolar), que é aplicado 7 vezes por ano (por enquanto aqui é só uma, mas a ideia é alcançar 7 também). Em duas versões: uma de raciocínio, que avalia matemática, leitura crítica e redação, e outra que testa o aprendizado de matérias específicas – física, história etc. Ambas reconhecidas pela qualidade das questões, que obrigam o aluno a de fato raciocinar. Mas a grama do vizinho não é tão verde assim. Apesar de bem formulado, o SAT é o terror mais profundo dos estudantes. Igualzinho ao que ocorre aqui, existe por lá toda uma indústria de cursinhos especializados em dicas e macetes para que os alunos se saiam bem nas provas. E há quem garanta que são necessários anos para esquecer o trauma do exame.
Os chineses que o digam. Por lá, a pressão para se sair bem em uma prova semelhante, que também é unificada e ocorre uma vez por ano, é tão forte que o vestibular está entre as causas das altas taxas de suicídio no país, de até 3,5 milhões de pessoas por ano.
Na Dinamarca, a prova simplesmente não existe: o que conta são as notas obtidas durante todo o ensino médio. Se o curso pretendido é engenharia, os examinadores levam mais em conta as notas do candidato nas aulas de matemática. Se a ideia é cursar letras, não tem muita importância ter passado raspando em química por 3 anos. Um sistema correto, mas também desesperador: quem é bom, mas repetiu o 1º colegial por alguma bobeira de adolescência, pode se complicar na hora da seleção. Como não dá para voltar no tempo e mudar as notas, o jeito é mudar de país.
Quem sabe para a Argentina, a Bélgica ou a França. Nesses, o acesso é garantido sem vestibular nem currículo: basta ter um diploma de nível médio, pelo menos para entrar nas faculdades menos concorridas (é o que acontece na prática por aqui também, já que os “processos seletivos” de algumas das nossas particulares
permitiriam a matrícula de um babuíno). Mas o acesso automático não garante nada em alguns casos: na Argentina, ao fim do primeiro ano de curso, há uma prova para decidir quem segue na faculdade ou não.
Entre as universidades mais disputadas do mundo, o método é mais complexo. É o caso das que fazem parte da Ivy League, o grupo das 8 americanas de elite (entre as quais Yale, Harvard, Colúmbia e MIT). Elas até levam em conta as notas do SAT, mas também avaliam currículos, exigem cartas de recomendação, fazem entrevistas pessoais… até a personalidade do candidato entra em jogo. Tudo conta: participação em grêmio estudantil, viagem de mochilão, trabalhos comunitários…
Na Universidade de Colúmbia, por exemplo, o que os examinadores olham mesmo são os trabalhos que o candidato desenvolveu na escola nos 4 anos anteriores. Para conquistar uma vaga no MIT, entre outras coisas o aspirante precisa fazer uma lista das 5 atividades mais importantes que considera já ter feito na vida. E pode ainda optar por falar sobre isso ao vivo, em uma entrevista com um examinador da universidade, o que pode aumentar significativamente as chances de admissão.Tudo isso, por sinal, não existe só para o bem do aluno. Mas para o da própria instituição. Um diploma de Harvard foi importante para a carreira de Barack Obama. Mas ter formado um Barack Obama que virou presidente é ainda mais valioso para Harvard, pois aumenta o
prestígio que a universidade já tem. Daí a importância de uma seleção realmente precisa.
Mas claro que, por melhor que seja, o novo Enem não vai transformar nossas federais em Harvards. Será apenas mais justo que os vestibulares-decoreba de sempre. Mas, se você acha que isso vai deixar as coisas mais fáceis, pode tirar o gabarito da chuva. Neste ano, cerca de 5 milhões de estudantes vão concluir o ensino médio no Brasil, mas há menos de 300 mil vagas nas faculdades públicas, as mais concorridas. Nos 5 cursos mais disputados das 5 universidades top de linha, são só 1 300 vagas. Um baita funil, que vai continuar duro de atravessar. Além disso, não importa o quanto o vestibular, ou mesmo a educação como um todo, melhore: sempre vai haver um punhado de instituições preferidas por alunos, professores e pelo mercado de trabalho. O caso dos EUA é emblemático: entre as mais de 4 mil universidades de lá, só aquelas 8 são objetos de desejo para valer. E, se é numa das favoritas que alguém quer entrar, não tem jeito: vai ter que ralar para mostrar mérito. Ainda bem.
Matéria publicada na Super de maio:
velhice começa aos 27
O cérebro declina muito mais rápido do que você imagina.

TEXTO GISELA BLANCO
Aos 27 anos de idade, você ainda é jovem. Seu coração está zerado, a pele quase perfeita e os músculos não doem. Mas no seu cérebro, a decadência já começou. Cientistas americanos acabam de divulgar os resultados de um estudo gigantesco, que mediu as habilidades cognitivas de 2 000 pessoas e chegou a uma conclusão assustadora. O cérebro humano chega ao auge aos 22 anos, fica estável até os 27 e a partir daí já começa a declinar. E essa queda é incrivelmente rápida – quando as pessoas chegam aos 30 anos de idade, várias funções do cérebro já estão bem mais fracas [veja no quadro ao lado]. Você pode achar que ainda é muito jovem para ficar gagá. Mas a natureza não. “Do ponto de vista evolutivo, por volta dessa idade você já deveria ter se reproduzido. E, por isso, já estaria chegando a hora de se aposentar”, explica o neurologista Paulo Henrique Bertolucci, da Universidade Federal do Estado de São Paulo. Afinal, o homem das cavernas não vivia muito mais que 30 anos. E, anatomicamente, o seu cérebro é idêntico ao dele. Mas não precisa se desesperar se você já passou dos 27, ou está chegando a essa idade. O estudo, realizado pela Universidade de Virgínia, também descobriu que algumas habilidades, como a verbal, continuam crescendo até os 60 anos. E aprender coisas novas, aumentando o número de informações no cérebro, compensa parcialmente as perdas cognitivas. A velhice mental existe. Mas ela é só uma coisa da sua cabeça.

Matéria publicada na CLAUDIA em agosto:
Autodidatas, empreendedoras e supercriativas, as adolescentes desvendam os mecanismos da tecnologia virtual e prometem transformar o mundo
http://claudia.abril.com.br/materias/2876/?pagina1&sh=31&cnl=31&sc=
Os dinamarqueses ressuscitaram a maior polêmica vivida pelo país nos últimos anos. Ontem, cinco jornais da nação nórdica reproduziram uma charge do profeta Maomé originalmente publicada no jornal Jyllands-posten, que causou muito furor em 2005. A reprodução foi feita depois que três homens foram presos em Aarhus (cidade-sede do jornal), acusados de planejar a morte do cartunista Kurt Westergaard. Ele é autor da caricatura republicada agora, onde Maomé aparece com um turbante-bomba na cabeça. Além da associação dos islâmicos ao terrorismo, ofensiva por si só, o desenho fere uma regra de ouro dos muçulmanos: nunca representar graficamente o profeta.
Em fevereiro de 2006, um grupo de muçulmanos levou os desenhos para o oriente. A notícia gerou revolta. Grupos islâmicos promoveram protestos violentos em várias partes do mundo. Liberdade de imprensa ou desrespeito à cultura alheia? Os conflitos religiosos ganharam destaque nos noticiários. As mesmas charges foram reproduzidas por outros 50 jornais de diversos países. No furor das discussões, houve mortes na Nigéria, Líbia e Paquistão. Bandeiras da Dinamarca e da União Européia foram queimadas em praça pública. Alguns manifestantes incendiaram ainda as sedes da embaixada da Dinamarca em Beirute e Damasco. Depois de pedidos de desculpas oficiais e muito esforço diplomático, os ânimos foram apaziguados. Mas o problema agora dá sinais de que não foi completamente resolvido. Os jornais que republicaram as charges essa semana, garantem que o fizeram para mostrar que a liberdade de imprensa continua sendo uma prioridade no país. A atitude, no entanto, acabou tendo outro efeito: a volta de um clima de tensão, em que muitos dinamarqueses temem novas represálias.
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Por coincidência, fui estagiária de fotografia no jornal Jyllands-posten quando morei na Dinamarca em 2005. Na época em que a polêmica das charges explodiu, aproveitei os contatos que tinha feito por lá para sugerir uma matéria sobre o assunto para o jornal Correio Braziliense. Foi minha primeira matéria assinada, em co-autoria com a repórter Mariana Mainente. Foi editada pelo Sílvio Queiróz, um cara extremamente gente fina que me deu a chance de ver meu nome publicado em um jornal pela primeira vez. Mas o destaque da história vai mesmo é para Hamdi, uma garota somali que eu conheci em Aarhus. Seis meses antes, eu a havia entrevistado e fotografado para uma matéria sobre estereótipos. Ela é muito doce e acessível, mas fala sem censuras sobre o preconceito que sofre por ser africana e muçulmana. Liguei e entrevistei a moça de novo. E aproveitei uma foto dela que eu já tinha.
É só clicar no link abaixo para ler a matéria, em PDF.
O sentimento de culpa é uma das piores heranças do catolicismo. Vez ou outra a gente se pega lutando para aliviar a consciência de algo supostamente ruim que tenhamos feito. E a não ser que você seja um psicopata incapaz de se sentir mal por coisa alguma, deve saber que carregar o peso da culpa é deveras ruim.
E se as drogarias ainda não vendem remédio pra aliviar a consciência, pelo menos para alguns tipos de sentimentos de culpa, já existe solução. A dica é para aqueles que se sentem culpados por baixar músicas na internet sem pagar nada por isso: o site Dear Rockers te ajuda a se retratar. A idéia é escrever uma carta pedindo desculpas para as suas bandas preferidas e até mandar um dinheirinho como pagamento atrasado pelos vários discos que você já baixou clandestinamente por aí. E bom, ninguém garante que os seus ídolos vão ler a sua confissão (e muito menos que irão te perdoar) mas pelo menos você alivia sua consciência um pouquinho. Que tal?
O que o Dear Rocker sugere é que você mande 5 dólares (equivalente a uns 3 álbuns no itunes) e uma foto da sua cartinha explicando seus motivos para surrupiar virtualmente as músicas que alguém se esforçou tanto para gravar. Uma boa sugestão de desculpa para os brasileiros é a impossibilidade de comprar músicas pelo itunes em território nacional. Pronto, meio caminho andado. E que o ano novo seja repleto de consciências tranquilas. Vai ser uma beleza.
Não gosto de fazer propaganda sem ser paga para isso. Mas ao mesmo tempo, sou uma entusiasta dos bons serviços gratuitos da internet. E o WordPress é definitivamente um deles. Na nova era da economia que vem por aí (que na verdade já está aí, mas nem todo mundo percebeu ainda…), aparecem cada vez mais serviços gratuitos de qualidade. Você só paga alguma coisa se quiser ser um usuário “premium”. Isso porquê os custos extras para uma empresa real manter um usuário virtual tendem a zero. O preço de armazenar ou transmitir um kilobyte de arquivos é agora tão baixo que quase não dá para mensurar.
O jornalista americano Chris Anderson (editor da Wired) chama 2008 de “o ano do gratuito” em seu artigo no especial da The Economist “The World in 2008″. Para as empresas espertas que se aventuram na internet (ou que só existem nela) oferecer produtos de graça é a chave para conquistar os clientes. Mesmo que seja apenas uma porcentagem bem pequena dos usuários que acabe usando mais do que apenas os serviços gratuitos e decidindo pagar alguma coisa por eles. Já adentramos a era do “free meal”. E como consumidores modernos que somos, agora não vamos mais exigir serviços de qualidade somente quando pagamos por eles. Queremos qualidade de graça também. Acabaram-se os tempos de aceitar injeção na testa só porquê não precisava pagar nada.
E nessa nova onda da economia mundial, o WordPress tem se saido bastante bem. O IDG Now! publicou hoje uma matéria sobre o avanço da ferramenta para blogs criada por Matt Mullenweg e sua possível ameaça ao todo poderoso Google. Na matéria, o repórter Guilherme Felitti cita uma recentíssima pesquisa do IBOPE//NetRatings que costatou que o crescimento do WordPress chega a bater o das ferramentas do Google em mais de cinco vezes em determinados períodos entre usuários brasileiros.
E mais: “Durante o mês de outubro, blogs brasileiros do WordPress atraíram 2,5 milhões de leitores, o que corresponde a 12,8% dos usuários residenciais de internet no Brasil. Os rivais do Google, juntos, somaram 6,3 milhões de usuários no mesmo período, enquanto, no geral, o Brasil tem 9,1 milhões de leitores de blogs”.



![Four in a Row [Explored] Four in a Row [Explored]](http://static.flickr.com/7018/6782703137_25b3b3b811_t.jpg)